Este protocolo de 5 sessões apresenta uma sequência prática de intervenções em arteterapia junguiana para facilitar o reconhecimento e o movimento de conteúdos emocionais que se encontram bloqueados ou pouco acessíveis pela fala.
Para quem é este protocolo e princípios básicos
O protocolo destina-se a adultos e adolescentes que buscam um trabalho simbólico e imagético para acessar emoções, imagens internas ou conteúdos de sonho que permanecem estagnados. Também é um roteiro útil para psicólogos que desejam implementar uma intervenção breve e estruturada em contexto clínico ou de supervisão, sempre adaptada ao caso e ao nível de tolerância do paciente.
Baseado em princípios da psicologia junguiana e da arteterapia, o protocolo valoriza: a imaginação ativa, a expressão simbólica, a contenção emocional, e a integração reflexiva. Deve ser aplicado por profissional habilitado em psicologia e arteterapia, com atenção à segurança emocional e ao pacto terapêutico.
Materiais e preparo para sessões de arteterapia
Prepare um ambiente seguro, com privacidade e materiais acessíveis. Em atendimento online, verifique câmera, áudio e iluminação, e combine um espaço físico para materiais do paciente.
- Materiais básicos: papéis de diferentes gramaturas (A4 e maiores), lápis grafite, carvão, canetas, giz de cera, aquarela ou guache, pincéis, tesoura sem ponta, cola em bastão.
- Objetos simbólicos: tecido pequeno, pedras, imagens impressas, cartões em branco para escrita, caixa pequena para guardar imagens.
- Recursos de apoio: almofada para contenção somática, água, lenço; em atendimento online, número de emergência e plano de suporte local.
Protocolo de 5 sessões: objetivos e intervenções
Sessão 1: Acolhimento, ancoragem e imagem inicial
Objetivo: estabelecer vínculo, avaliar tolerância emocional e acessar uma imagem inicial que represente o bloqueio. Comece com acolhimento e breve entrevista clínica, orientando limites de confidencialidade e segurança.
Intervenções:
- Exercício de ancoragem corporal de 3 a 5 minutos para estabilizar a afeto.
- Convite para desenhar sem objetivo estético, uma imagem que represente o que impede o movimento emocional, com materiais secos.
- Reflexão compartilhada sobre elementos simbólicos do desenho, perguntas exploratórias do tipo "o que neste desenho chama mais atenção?".
Sessão 2: Ampliação imagética e trabalho com metáforas
Objetivo: ampliar a imagem inicial, explorar emoções e possíveis núcleos afetivos por meio de metáfora e cor.
Intervenções:
- Retomar o desenho anterior, perguntar se a imagem quer mudar, crescer ou apresentar um detalhe novo.
- Usar técnicas de colagem ou pintura para permitir transformações simbólicas (inclusão/exclusão de elementos, mudança de cor, texturas).
- Nomear aspectos da imagem, convidando para atribuir um título ou frase curta.
Sessão 3: Diálogo com a imagem e imaginação ativa
Objetivo: promover um encontro imaginal direto entre a pessoa e a imagem, permitindo que vozes internas ou conteúdos inconscientes se expressem.
Intervenções:
- Breve relaxamento e orientação à imaginação ativa: a pessoa observa a imagem e permite que ela se mova, fale ou revele algo.
- Registro artístico do conteúdo que surge, por desenho, escrita automática ou colagem.
- Processamento verbal e simbólico, com atenção à metalinguagem e aos sentidos múltiplos das imagens.
Quando deixamos a imagem falar, abrimos espaço para que emoções antes silenciadas encontrem uma forma simbólica de existir.
Sessão 4: Trabalho de simbolização e ritual de mobilização
Objetivo: transformar a energia contida em movimento simbólico, promovendo uma experiência de modificação interna sem promessas de cura.
Intervenções:
- Atividade simbólica dirigida, por exemplo: criar uma cena onde o elemento que bloqueia encontra um recurso (figura de cuidado, fronteira, passagem).
- Uso de pequenos objetos para montar um altar simbólico ou uma caixa de mudanças, que represente um gesto de transição.
- Encerramento com ancoragem corporal e planejamento de um pequeno ritual de cuidado a ser feito entre sessões.
Sessão 5: Integração, projetos e encaminhamentos
Objetivo: integrar o trabalho feito, consolidar aprendizados simbólicos e planejar passos práticos para manutenção do processo.
Intervenções:
- Revisão das imagens produzidas, destacar recursos emergentes e transformar insights em frases-guia ou símbolos de apoio.
- Elaboração de um plano de autocuidado simbólico, com atividades arteterapêuticas simples a realizar em casa.
- Encaminhamentos quando necessário, e indicação de continuidade terapêutica individual ou grupal, conforme avaliação clínica.
Considerações clínicas, segurança e uso por outros profissionais
Este protocolo é uma sugestão estruturada, e deve ser adaptado à história, risco emocional e limites do paciente. Em casos de sofrimento intenso, risco de autolesão ou fragilidade psicótica, a arteterapia imagética exige supervisão e eventual encaminhamento. Psicólogos que utilizarem o roteiro em contexto clínico ou didático devem ter formação adequada em arteterapia e supervisão clínica, e seguir normas do Conselho Regional de Psicologia.
Conforme a prática e a formação de Ana Maria Collete Chalfun, o trabalho imaginal exige cuidado ético e técnico, com registro de observações e planejamento de suporte entre sessões.
Este conteúdo é informativo e não substitui atendimento individual. Se você se identificou com este protocolo e deseja aprofundar, fale com um profissional qualificado para avaliação personalizada.
Gostaria de experimentar este roteiro com suporte profissional? Se tiver interesse em supervisão para aplicação ou em atendimento individual com arteterapia junguiana, considere agendar uma avaliação para adaptarmos o protocolo ao seu caso.